domingo, 13 de março de 2011

Aldravia.

poesia
cai
como
chuva
de
verão.


Aldravia é coisa simples. Poesia rápida, adaptando-se a vida moderna. É fácil, e tem um delicioso sabor de simplicidade. Poesia pra todo mundo, pra quem quiser escrever, quem quiser ler.

Ok, assumo que tinha certo preconceito com aldravias. Eu estranho essas “poesias’’ modernas, em que escrever uma letra ou algumas palavras de diversas formas e tamanhos é arte e faz sentido, dizem que é profundo. Ui, suspiro pra entender tamanha complexidade.

Tenho saudades dos bons tempos clássicos, e digo que meu único problema com essa nova poesia é que ela está arrastando os sonetos e sílabas métricas para muito longe de nós! Poetas, aprofundar as palavras, ir além e olhar para o passado também é legal.

Mas enfim, acho sim que essas adaptações fazem parte, mesmo porque as mudanças são fundamentais para o progresso.Porém, não devemos resumir a arte, isso é limitar. E arte não tem nada a ver com limitação.

Abraços.
Respiro poesia,
penso e vivo as palavras,
todo dia,
é dia de poesia.
Ligo a televisão,
o rádio, o computador;
Para desligar-me.
Mas não consigo,
Os papeis, soltos no chão
A folha em branco,
a caneta, presa pela solidão;
Parecem gritar!
Preciso escrever,
libertar-me, já !

quarta-feira, 9 de março de 2011

bobagens de domingo # 3

O Céu é como uma corrente,
as estrelas são as pérolas,
a lua, o pinjente.

bobagens de domingo #2

O tempo vai passando, e os amores vão ficando cada vez mais intensos;

Penso que nunca encontrarei meu grande amor,

Sempre estarei á procura de algo maior.

Vivo e amo? Sim.

Mas acredito que o amor vai se construindo dentro da gente, e ficando sentimento mais intenso ao longo dos anos.

Não sou pobre, nem desiludida,

Meus sonhos não estão perdidos,

Só sigo pela vida:

Sei bem quem é meu bem.

bobagens de domingo #1

Pequenas bolhas de sabão,

Eu vou soprando;

Vão subindo,

Em vão,

Pelo meu céu descolorido de verão:

Você não está mais aqui comigo.

Resolvi terminar de ver a entrevista que Clarice Lispector concedeu à TV Cultura em 1977(vídeos disponíveis no youtube). Respirei fundo, me preparando para quase uma hora de minutos prolongados pela densidade de Clarice.

Ok Clarice, podemos começar, disse pra mim mesma, como se estivesse em frente a ela. Durante os vídeos fui absorvendo pequenas coisas, e comecei a perceber que as respostas que ela dava as perguntas do repórter, seriam parecidas, ou até mesmo iguais as que eu daria em seu lugar. Foi então que tive a idéia de propor uma brincadeira, um tipo de jogo, a mim mesma. E também a ela.

Lispector cruzou as pernas, e em meio à fumaça de um dos seus cigarros intermináveis, lançou-me um olhar misterioso e desafiador. Entendi aquilo como um sim.

Foi então que prossegui. Seria o seguinte: antes dela responder ao repórter, eu responderia, e depois veria se sua resposta era semelhante a minha.

Não querendo me comprar a grande rainha da literatura-jamais o faria- mas, digo só por diversão, que fiquei espantada em como traços de Lispector foram casar com alguns meus.

Foi uma surpreendente sensação, deliciosamente assustadora.