terça-feira, 12 de abril de 2011

Da caixa de lembranças de você...

...e de mim. Sem porque, nem pra quê.

#1

De tanto que te quero, nem sei...

Ah, se você soubesse o quanto!

Nem as estralas do céu seriam capazes de contar

O tanto de amor que eu tenho para te dar!

#2

Debaixo de uma fronte juvenil,

Um anjo veio me visitar.

Escondeu-se em corpo belo,

Fino, amorenado, dava gosto de olhar!

Fez comigo um elo

Veio em mente esperta,

Cabeça aberta,

Cabelos compridos que cortavam o ar.

As asas grandes,

O corpo puro dava até dó de tocar!

Anjo,

Deve ter vindo para me salvar.

#3

Sinto-me meio descontente

Com esse tanto de batente,

Meu corpo anda meio estridente,

Ás vezes até dormente,

No meio de tanta gente.

E eu nem percebia

Que o que ela mais queria

Era que eu dissesse o que eu sentia.

Mas não podia, não podia!

Porque o que ela mais queria,

Eu não via,

Não entendia,

E nem sabia.

#4

- El fez que sim, fez que nada.

Sentia o desligamento...

Doía cada vez mais.

Sentia falta de minha heroína,

Sem ela era um fracasso.

E meu corpo, em crise de abstinência,

Pedia por mais uma dose...

Sem perceber, me viciei em você.

#5

Eu queria tanto,

Ficar ao lado teu.

E como quem não quer nada,

Abrigar teu coração no meu,

Amando-te de mansinho...

Ah, como eu sofri,

Nesse meu jeito devagarzinho!

E que tristeza profunda!

Meu coração até ontem brando,

Hoje está em pranto!

O jeito é esperar,

Que o tempo vai levar...

E a vida vai passar...

#6

Diálogo final

-Acabou?

-Acabou. – eu disse cabisbaixa.

-e não dói?

- só um pouco.

-Só um pouco?

-É.

- Não era para doer mais?

- era, mas não dói...

- Por quê ?

-Não sei... Acho que meu processo de cicatrização é mais rápido. Ou eu sofro o que tenho para sofrer aos poucos, vou me corroendo ao longo dos dias, e quando percebo, finalmente passou. Isso me torna insensível?

-De forma alguma. Você é o que é. Sofra á sua maneira.

-Ah...

-Sua maneira parece menos dolorida.

-Não. Preferia sofrer simplesmente a sofrer por não sofrer. Acho que dói mais, porque sofrer de amor é dor limpa, pura e digna.

- É, eu não sei bem como é se sentir assim.

-Não se preocupe ninguém mais sabe.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Eu sei que você foi
Talvez volte atrás.
A esperança ainda vive,
mas o coração dói demais.

O mundo enlouquece. E a culpa é dos loucos?

Hoje minha mãe disse estar indignada com um rapaz que matou e feriu crianças e pré-adolescentes quando estavam na escola. Parece ter sido tudo planejado, pois o jovem deixou uma carta avisando sobre tudo. O resultado foi semelhante aos outros crimes que estão acontecendo no resto do mundo: depois de ser baleado pelos policiais, o rapaz suicidou-se. O Brasil parece ter parado frente à tamanha violência.

Eu sinceramente não me assusto com determinados crimes e ‘barbaridades’. Não mesmo. Fico assustada, é claro, mas não acho anormal frente ao mundo em que vivemos. Todos os dias vemos as mesmas coisas nos jornais: assassinatos, roubos, guerras, pobreza, apontam-nos consequências todo o tempo. Mas e ai? O que acontece depois? O tempo passa, e as pessoas se esquecem até quando venha outra notícia assustadora.

Na verdade, tudo é assustador. Matar um, dois ou milhares consiste no mesmo crime, resultados de uma mesma equação: a sociedade é criada no berço da violência, enrolada em lençóis de hipocrisia, que não aquecem e só fazem aumentar o frio e a carência de pessoas que vivem para alimentar os filhos.

O mundo está enlouquecendo, porque os seres humanos não foram feitos para essa realidade. É difícil adaptar-se à violência diária, ao trabalho infinito, à infelicidade. Carregamos um fado e sabe-se lá quando isso vai acabar.

Mas isso não é falado. Discutem-se todo o tempo as consequências de um problema mundial. As causas são deixadas para depois. A indignação das pessoas é momentânea, porque os resultados não aparecem aos olhos míopes o tempo todo. Atentar-se para as consequências de um problema talvez seja o primeiro passo para chegar às causas, mas sempre paramos no meio do caminho. Se não se corta o mal pela raiz, a árvore vai continuar crescendo, não importa o quanto nos surpreendamos com a podridão de seus frutos. Empurram-se os problemas para debaixo do tapete, e de repente, toda a sujeira aparece. Ficamos preocupados, mas logo alguém pega a vassoura e varre tudo de novo, sendo o processo contínuo.

Está sendo inútil discutir a gravidade do que está ocorrendo, pois as pessoas, principalmente os poderosos, são incapazes de apontar as falhas e expor uma solução que finalmente ajude-nos de alguma forma. Ora, por favor, pensem bem! Vamos discutir a pobreza, a exploração, a fome, os verdadeiros problemas! Estamos tentando curar os sintomas, sem enxergar a verdadeira doença.

Não é insensibilidade, é só que é mais prático se preocupar com toda uma sociedade do que com casos pequenos. Mas a culpa é sempre de alguma pessoa que enlouqueceu, e não de todo um sistema que faz com que isso aconteça. E assim, milhares de pessoas são socadas em cadeias, enlouquecem, morrem diariamente.

E vamos parar de dizer: pensem nos seus filhos. Os pais já caminham ao lado de uma sombra que toma conta do mundo. ISSO é assustador.

Pássaro de asa quebrada não voa.













Nem eu de coração quebrado.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Entre tudo e meio dia,
Fazia de tudo para alcançar-te,
Mas você nem me via!
Desejar-te sorte,
Era tudo que eu queria!
Mas você ia ia ia ...
Ia andar em terras remotas,
Ia bem leve e serena
Dançar samba de botas!
Mas você, tão pequena,
Nem me via, nem me via!
Mal sabia de tudo que eu sentia,
Andava fazendo não sei o quê
Andava procurando
E eu ali!
Como eu te queria,
Estava só te esperando!
Mas você, sempre tão leve,
Ia assim, bem de repente,
E eu, muito assustado,
Mal sabia dar bom dia
E você já se ia!
Já se ia,
Já se vai,
Já se foi!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Depois de um exagero de pontos de interrogação, muitas vírgulas, alguns pontos de exclamação, chego a poucos pontos finais...(gosto mesmo das reticências)

Infinito

Quando encontro o desepero

não me perco, não me perco.

Me junto à poesia

E assim, sigo nesse jogo de viver.

Traço no meu rosto a alegria

Que mais poderia ter?


Por um suspiro me dissolvo,

O lápis risca o papel

Fico quieta, não me movo,

Minhas palavras vão ao léu.


Meu amigo, eu assumo,

não objetivo poetizar.

Vou assim, meio sem rumo

só vivendo, só vivendo, a brincar

Será que assim posso me humanizar?


Minhas liberdade é infinita

Não preciso de ninguém me dizendo

Onde devo pôr a tinta.