quarta-feira, 8 de junho de 2011

meus cheios e vazios se misturam
balangueio entre opostos
minhas vontades me consomem.
e por alvoroço, meu eu insiste na petulância de ser.

domingo, 5 de junho de 2011

9 - seu número da noite, ela disse. *

  Cega do olho esquerdo, eu não sabia bem o que via. Corria, corria dentro de mim mesma. Meu silêncio ecoava pela sala, ensurdecendo-me. Sentia-me a maior das ignorantes; meu egoísmo me ultrapassava. Tentava cravar minhas unhas no abstrato; na tentativa vã de me saciar: corpo e alma.


  Estava ali, entre túmulos. Com a forte luz, via a inexistência de vida com clareza. Era a única que se movia, e diferenciava-se entre a palidez do meio.

  Fundia-se com conflitos imaginários. Alguns, reais. Mas o que importava? Tudo se confundia. Era cor naquela brancura; expressão reprimida do seco - pelo menos isso, pensava.

  Quieta, ainda tentava agarrar o abstrato. Foi quando se levantou. De súbito, caminhou sem pressa, pelos corpos nus e empilhados, pelos pêlos e cabelos humanos. Sem medo e nem susto, atravessou um caminho entre a morte da sala branca, e abriu a porta marrom, de madeira envelhecida.

  Quando viu, ela estava lá. Levantou-se de um sofá vermelho e caminhou em minha direção. Os cabelos longos, a pele clara, o olhar seguro, convidavam-me. Tinha certeza. Era como encontrar comigo mesma. Rapidamente joguei o concreto na sala, fechei a porta, e sem olhar pra trás, consegui agarrar o que até então fora abstrato.

 
 
* nota : (se perceberem, o foco narrativo está louco)
Sinto cheiro de felicidade.


Sinto-me como uma árvore frutífera:

Renasço nessa essência.

Me completo com as aspirações,

Me encanto como as flores.

Às vezes eu escrevo sem palavras.

Sagrado.

  A sombra cinza sob a parede puramente branca denunciava gestos singelos e seguros. Tudo aquilo algum dia já fora dito ou narrado, mas nunca contido. Em segundos, a mulher estabelecia relações milenares. O som da vida já não importava mais: agora ouvia o divino. Entrava em contato com o divino, mas não conversava.


  Os gestos eram exatos; e as palavras bem medidas, aos sussurros. O corpo obedecia a ordens e ajoelhava. As cosias eram extremamente calculadas e friamente desenvolvidas.

  O cheiro de limpeza escondia o sujo da alma; mas nada era capaz de abalar a segurança daquela mulher. Suas tradições ressoavam pelo assoalho de madeira ancestral. Tudo enrijecia em suas mãos. Ela parecia ter encontrado o que realmente lhe importava, enquanto os dedos passavam rapidamente pelo cordão. Então, era tido como sagrado.

sábado, 4 de junho de 2011

De tão longe de mim, eu me encontrei.