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terça-feira, 12 de outubro de 2010

mentiras

Pra que fingir que não posso mais?
Pra que chorar pelo que já passou?
Pra que mentir dizendo sentir toda dor
Se na verdade, acho graça de todo o ardor?

Pra que me serviria à hipocrisia,
Pra provar-me mais inteligente?
A verdade pertence ao sábio,
e a esse o mundo.

Mentiras são tolices,
que vão com a mesma facilidade da água que escorre.
Servem pra tapar a fraqueza do burro,
que continua burro.

Mentiras são traições,
necessárias a nós humanos,
que mesmo sabendo disso,
seguimos pelo caminho errante.

Essa será nossa sina constante,
Até que, fujamos retirantes,
desse mundo infiel
Em que a mentira é gritante.

domingo, 23 de maio de 2010

Por dentre as montanhas,
Numa terra de árvores frondosas
Águas claras e flores singelas,
Lá longe, nas raízes da poesia
Nasce minha alma e a fantasia.

Por dentre a escuridão,
Numa terra de criaturas pavorosas
Banhada pelas negras águas do silêncio
Aqui perto, nas raízes da solidão,
Nasce meu corpo e meu coração.

Finjo fazer disso tudo uma junção
Mas na verdade sigo a levar meus versos
Para meu pecaminoso caminho de traição:
Sou poeta de mentira.

Versos soltos

Não tenho nada.
Não sou nada.
Minha vida é vã.
Talvez eu nem chegue a ser.
E caso seja,
Não vivo minha essência,
Não gozo de minha existência.
Mas o que mais posso querer?
Só quis ter as palavras como companhia,
Escolhi viver para a poesia.

Versos soltos

Não tenho nada.
Não sou nada.
Minha vida é vã.
Talvez eu nem chegue a ser.
E caso seja,
Não vivo minha essência,
Não gozo de minha existência.
Mas o que mais posso querer?
Só quis ter as palavras como companhia,
Escolhi viver para a poesia.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Agora tu vês que sou lixo,
Que sou inútil
Que sou resto de homem
Sigo errante pela vida,
Por que ainda vens atrás de mim?
Vai-te deusa dos meus sonhos nus!
Segue-te no teu caminho, cumpre tua sina de iluminar os homens bons!
Corras atrás de quem reconheça teu brilho celestial!
Vai-te pequena princesa angelical,
Vai-te criança, não me acompanhes
Tu és completa, tu és perfeita,
Enxerga com teus olhos que brilham de inocência:
Não vês que sou homem coxo?

domingo, 11 de abril de 2010

Sonhos,

Esses fazem o corpo buscar, a alma crescer. Por toda a vida sonho como as crianças fazem... Sonho com desejos atrevidos, com coisas improváveis. Sonho com os olhos abertos, olhos fechados. Às vezes me entrego completamente ao sonho que passo a acreditar que se tornou realidade, assim como os mentirosos fazem de sua mentira a sua verdade. Sonhar não é pecado, não é ruim, não é malvado. Não devemos nos sentir culpados quando os sonhos arrancam de nós os desejos mais escondidos, e nos fazem gostar de sonhar com o proibido. Sonho sonhos que vão além do céu, além da terra, além do tudo, além do nada, vão e transgridem qualquer realidade que me prenda ao que não quero ver e a qualquer monotonia que a vida possa ter. Logo depois, se dissolvem e me fazem descer de um paraíso e dou de cara com a verdade. Verdade essa muitas vezes estupenda, que me dói, me faz cair, mas logo me ponho de pé, e então estou pronta para de novo poder sonhar.

Sara Meynard.

domingo, 28 de março de 2010

Nessa solidão,
Meu corpo clama por liberdade
Minha dor sussurra em meus ouvidos
Dentro de minh’alma, o pranto arde
E a tristeza resplandece.
Agora sou como escrava
Tornei-me prisioneira do meu próprio ser.

E esse isolamento me tortura,
O silêncio faz tornar ainda maiores as minhas mágoas
E corrói-me, fazendo-me extinguir
Desaparecer por completo
Sem deixar rastro, sem ninguém perceber

A censura
Faz-me sentir como incompleta
Falta a mim o grito, que é direito de todo ser
E a companhia,

que é necessária a todo ser que realmente é.
Asas à imaginação:
Vamos fazer silêncio e pôr as mãos a rabiscar os pensamentos.

Mas desespero-me,
Percebo então que a poesia anda fugindo de mim.
Dificuldade,
Procuro por todos os lugares
Mas não encontro meus versos.
Dúvida,
Será que a mim falta capacidade para preencher a folha em branco?

Essa folha agora me assusta, com todo seu espaço a ser ocupado pelas palavras
E eu com minha cabeça vazia de idéias.
Será que a mim falta libertar a imaginação e deixá-la a voar?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Você me deixa tão assim,
Ao léu,
Sem sentido, sem direção
Esperarei agora o tempo passar
As águas de março vêm curar
A ferida aberta que você deixou
A dúvida cruel da qual você ri
A me ver lutar para resolver.
Sei que tudo é improvável
E até mesmo impossível
Esse sentimento, que não sei ao certo o que é
Vai se perdendo, se afastando de nós, se esvaindo
Nos caminhos do coração de outros.
É bom tentar te entender,
Porém, te conhecer é uma coisa
Que sinto dizer,

Mas não irá acontecer.
Sinto falta
Daqueles dias confusos
Em que me encontrei defronte
Aos grandes desafios internos
Que a vida nos propõe
Daqueles dias que duvidei de mim
Que odiei tantas pessoas vis
Aqueles dias que a mim agora virão a fazer falta
Deixando um vazio
Em minh'alma.
Saudades das conversas fiadas,
Dos risos, das gargalhadas,
Dos choros, do desespero,
Dos erros, dos gritos
Das bagunças, das alegrias
Das amizades, do medo que senti
De tudo isso,
Essas coisas que me possuíram por inteiro.
Agora sei que as coisas jamais serão como antes
Tampouco parecidas.
Assim sinto falta dos tempos que ficaram pra trás
Daqueles mesmos de que me queixei.
Devaneios me envolvem,
Tenho medo do vazio, do desconhecido, do impossível.
Agora me restam lacunas a serem preenchidas,
Nesse silêncio
Que me corrói.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Não me toques
Não me beijes
Não me açores
Apenas deixes-me
E vá
Como o pássaro voa
Como a fumaça desvanece
Como a água corre
Como o sol esconde
Sem olhar pra trás
Tampouco se lembre de mim
Não sintas falta de nós
Sintas uma leve saudade apenas.
Se quiseres rir, rias
Se desejares chorar, chores
Se de meu rosto esquecer
Não se preocupe
É melhor assim.

Abiose

Sinto meus membros
Desmembrados,
Minha voz
Ausente se fez
Sinto minha cabeça
Exaurida
Meus pés gastos
De tanto percorrer
O caminho incerto
Da minha sina
Meu corpo gasto
Pelo cansaço
De uma mente
Que não sabe se faz
O que condiz com o que é.


2009

domingo, 17 de janeiro de 2010


Se um dia eu partir ,
Sem avisar nem ligar,
Não se preocupe meu bem,
Se não voltar logo
Prometo mandar-te notícias
E com você sempre sonhar.
Talvez até ouças falar de mim
Você sabe que sou imprevisível
Não se culpe,
Mas se tiveres raiva de mim, entenderei.
Mas lembra-te que sou como um pássaro,
Que nunca em uma gaiola gostaria de viver
E estarei sempre a migrar,
Para onde o clima melhor estiver.
Por que tu não tomas coragem
Larga de bobagem
Esquece a realidade,
E vem me dizer
Em segredo
Sem medo
O que até hoje só li?
Nessas suas páginas negras
Que não me assustam,
Somente me encantam
Por onde suas palavras me embaiam?

Não perca tempo
Venha logo correndo
Dizer o que tem sentido
Por mim
Confessar-me teus delírios
Bem ao pé do ouvido
Com seu jeito sorrateiro
De menino arteiro que és
E com sua poesia
Bem na ponta da língua.

Mas seja rápido meu bem
Pois o tempo corre
E de você,
Não tenho piedade.
Esse brilho que tu tens nos olhos
Quando me lanças um olhar inocente
Essa cara que tu fazes quando meu corpo deseja
O jeito que tuas mãos bailam sobre meu corpo
A maneira como teus lábios tocam nos meus
Essa mania que tu tens de querer repousar tua cabeça em minhas pernas
E de dizer que me amas
Atraem-me.

Esse jeito que me olhas
Esse mistério que tu deixas no ar

O jeito como faz-me de ti querer provar
A raiva que tenho por não conseguir decifrar-te
E por tão pouco conhecer-te
Esse gostinho de proibido que tu tens
Deliciam-me.
Ele chegava seu corpo
Junto ao dela
E sentia seu cheiro doce
Seu cheiro de pureza
Que lutava
Desesperadamente
Incansavelmente
Contra o cheiro podre
Cheiro de malícia.
E ele buscava nela o refugio
Para o pecado que perpetrava ali.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A inocência já passou,
Ninguém acredita mais no amor,
A diversão acabou,
O mundo inteiro se isolou.

Nem tudo vai dar certo,
Perdemos as nossas crenças,
Amigos, se foram
Mentiras se tornaram rotineiras
Falsidade já é quase
Uma qualidade.

As brincadeiras acabaram,
A simplicidade morreu.
Ninguém mais quer ficar normal,
A preocupação acabou
O mundo inteiro se agitou,
Tudo se atrapalhou.

Te amo

Te amo meu amor
Seus lábios macios
Sua pele aquecida
Sua carne
Seu rosto assustado
Seus olhos brilhantes
Como os de uma criança.
Seu jeito ofegante
Seu coração tão delicado
Frágil
E isolado.
Suas palavras,
Seu jeito diferente
Suas mãos grandes.
Sua força,
Que na verdade
É quase inexistente.
Seu abraço apertado
Seu jeito às vezes tão deprimente
Seu carinho delicado.

domingo, 15 de novembro de 2009

Meu desejo

Meu desejo é ser sua coberta
Pra nas noites frias seu corpo aquentar,
Suas roupas,
Para no seu corpo estar.
Meu desejo é ser seu travesseiro,
Para toda vez poder te abrigar,
E ai poder dormir ao teu lado
Perder noites pra te olhar,
Poder te abraçar de madrugada,
Meu amor, desejo te ver sonhar.

Um ombro amigo, um colo de mãe
Para seu coração sempre poder escutar
Meu desejo é ser sua guitarra,
Que sempre nos seus braços está
E você sempre com suas mãos másculas
A tocar,
Manear.

Meu desejo é ser seu espelho,
Para poder, todos os dias, te observar.
Ser seu feijão, seu arroz, sua comida,
Para sempre te alimentar.

Você vê agora o que provoca em mim?
Quando me pega e me devora sem piedade
Me ama sem moderação,
Me faz esquecer do tempo, da idade.
Então ai me ensina o que é amor,
O que é ser amada de verdade.

Te peço, meu amor,
Torne meus sonhos realidade
Me faz esquecer o que é pudor,
Quero te ter pra sempre,
Não quero mais nada,
Só seu amor.

Queria eu poder mudar o mundo

Queria eu poder salvar o mundo,
Ajudar esses pobres mortais,
Que não sabem de nada e estão sós a se prejudicar.
Queria eu poder salvar o mundo,
Das cabeças desumanas e vazias
Que estão a nos controlar.

Queria eu poder salvar o mundo
E a todos que nele vivem,
Ajudar todos a enxergarem o que estão a fazer,
Destruindo o seu próprio lar,
Essas pessoas fracas e sem rumo,
Que talvez pudesse eu ao menos o caminho lhes mostrar.

Queria eu poder salvar o mundo,
As mortes cessar,
A fome dos famintos matar.
Fome de comida,
Fome de amor,
Fome de sabedoria,
Fome de vida.