Fui ao mar
mas deixei cair o peso
sobre os ombros
Na areia
uma concha aguarda, fechada
seu fim
a pele a espera do sol
a vida áspera pelo sal
tudo paira a mercê do mar
sobre o azul do teatro
o mar é minha memória
se perdendo
nado, quase sem fôlego
para chegar à praia
o branco das espumas
também é minha esperança
de que a próxima onda
quebre antes
Não quebrará.
Mantenho a mim mesma e a espera
em andamento
À noite, sem fôlego
eu, que estou no mar
não chegarei à praia
eu, que estou na praia
não chegarei ao mar
Mas o poema, cansado
insiste
eco mudo, à espreita
permanece, como a concha
relógio de pulso
sem pulso
entra no mar.
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